quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O Mato, o Fato e o "Pato"! Segundo ato:

Segundo ATO:

O "FATO"

Desde que iniciamos o nosso projeto, já produzimos mas de 400 mudas de espécies nativas. Temos tido todo cuidado para evitar produzir mudas que não pertencem ao bioma Mata Atlântica.
Muitas vezes quando plantamos sementes em vasos ou "porta mudas" podemos acabar enganados pela brotação de espécies herbáceas espontânea como o caruru, beldroegas, capins etc. 

Eu sempre comento com pessoas interessadas em produzir mudas em apartamentos que, muitas vezes, a brotação inicial nem sempre é das sementes plantadas. Algumas dessas sementes podem levar 2, 3, 4 semanas ou até meses para germinar. Mas, o "mato" cresce rapidinho...rs

Portanto, temos o cuidado de não oferecer para as pessoas mudas de "mato", não por que essas espécies sejam "danosas", mas por que em um projeto de recomposição ambiental é necessário introduzir espécies que faziam parte daquele ambiente, mas que infelizmente, foram se perdendo com a destruição da Mata Atlântica.

Ao longo do nosso projeto aprendemos a reconhecer  algumas espécies, suas sementes e principalmente as suas brotações. 



Uma muda de fruta de Sabiá, arbusto nativo da Mata atlântica que dá cachos de frutinhos muito procurados por aves.

Não há nenhuma possibilidade de doarmos alguma espécies que não fosse nativa da Mata Atlântica, muito menos de espécies espontâneas. 
Esse equívoco até pode ser praticado por uma pessoa leiga, o que não é o nosso caso!
Abraços.
Tito



terça-feira, 12 de agosto de 2014

O Mato, o Fato e o "Pato"! Primeiro ato:

Primeiro ATO:
"MATO"



Definição:
 “Matos” ou “inços” são  plantas espontâneas, nativas e ou exóticas que germinam naturalmente,  a nossa revelia, em qualquer porção de terra revolvida, no solo e em vasos de planta. São as famosas e conhecidas "ervas daninhas" como diversos tipos de capim, caruru, serralha, dente de leão, etc. 

Senso comum:
Como não poderia deixar de ser a percepção do senso comum é reducionista e pejorativa, pois desconhece suas utilidades e potencialidades econômicas. Portanto, o "Mato" inclui plantas comuns, sem aparente valor, resultantes do desequilíbrio ambiental e que atrapalham ou prejudicam o cultivo de outras plantas. 
Bom, pelo menos é isso que está "salvo e gravado no HD Neural" do bom e velho senso comum ou sabedoria popular!

Informações divergentes:
Aquilo que a "sabedoria popular" atribui o status "Sem valor", é na verdade o resultado da ignorância coletiva sobre as espécies naturais que se apoderou homem urbano, principalmente, devido ao seu distanciamento do ambiente natural e a sua aculturação em termos de biodiversidade. O "mato" só existe na mente dos ignorantes. Portanto, "Daninha" é um conceito humano. É próprio da situação em que desejamos controlar o ambiente, e suas espécies, para que possamos provocar o nosso próprio desequilíbrio ambiental, como no caso de uma monocultura. Então, as demais espécies passam a estar na condição de "danosas".

Verdade:
Muitos dos "matos" são espécies herbáceas pioneiras capazes de ocupar nichos ambientais degradados sim, mas de importância vital para a sucessão ecológica e recomposição ambiental de qualquer área. Algumas desses plantas são comestíveis e, atualmente, estão sendo muito estudadas, como uma solução para a crise na produção de alimentos e garantia de segurança alimentar...



Continua na próxima postagem denominada "Segundo ATO":
Abraços.
Tito

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Jatobá exótico? Só rindo...rs


Como as coisas são engraçadas... 
A substituição cultural das espécies nativas por espécies "importadas" (ditas exóticas) nos levou ao desconhecimento quase total das espécies nativas da Mata Atlântica.

Em um supermercado, perto de casa, encontrei uma bandeja de jatobás e, pasmem, na lógica de quem etiquetou, ele foi identificado como um fruto "EXÓTICO"!
Ou seja, o que é nativo é tão desconhecido e estranho que assume a condição de "estrangeiro"...
Coisas dessa nossa vidinha ignorante!
É por isso que um dos objetivos do nosso projeto é reinaugurar  as espécies nativas (isso inclui o jatobá que não é exclusivo do bioma Mata atlântica, mas é nativo) na "memória afetiva" das pessoas.
Se não for assim....não será e essas espécies continuarão fadadas a extinção!
Pobre Mata Atlântica!
Aproveito para postar a foto da muda de jatobá que nasceu e cresceu no parapeito da área do meu apartamento para ver se mais pessoas se interessam em produzir e dispersar mudas dessa espécie fantástica!

 Abraços.
Tito

sábado, 5 de julho de 2014

Pau-formiga macho e Pau-formiga fêmea


Seja bem vindo! 
Essa postagem foi feita para apresentar o "Pau-formiga". Esta árvore nativa tem uma peculiaridade... Assim como o mamoeiro, há a diferença sexual entre indivíduos machos e fêmeas. Você já deve ter ouvido falar de "pé-de-mamão macho". Ele realmente existe, da mesma forma que os pés-de-mamão-fêmeas de onde colhemos os mamões que comemos. 
O pau-formiga é uma árvore dioica, ou seja, tem árvores com os sexos separados e não hermafroditas, como a maioria das árvores que conhecemos.
Se você está acessando esse blog a partir do Qr-code do kit que recebeu no 2º picnic de troca de mudas e sementes do Rio de Janeiro, seja bem vindo. Aqui temos algumas informações fundamentais para que vc se torne um "produtor de mudas individual sem terra"...rs...  Ou seja, uma pessoa que como nós, não tem "terra para plantar", mas acredita que a Mata Atlântica deva ser recuperada e gostaria de participar.
As sementes do Pau-formiga que vc recebeu são um primeiro passo...Você quer ser nosso parceiro? Leia as outras postagens do blog e se informe em como participar, ok?
Abraços do Projeto MUDAMATA!
Tito Tortori

terça-feira, 10 de junho de 2014

O último Imperador!

Hoje é dia 5 de junho - dia mundial de meio ambiente. 

O projeto MUDAMATA, como um ato simbólico de resistência, vai plantar na escola uma muda que ajuda a contar a história do "Ultimo Imperador". Não, não estamos falando do filme do Bertolucci que conta a história de Aisin-Gioro Puyi, o último imperador da China Imperial. Essa história é sobre o último Imperador do Brasil, D. Pedro II, e da sua admiração por outro "imperador"...

A "árvore do Imperador" ou Guapeba
(Chrysophyllum imperiale)

A fruta preferida dos imperadores D. Pedro I e D. Pedro II.

Essa árvore era típica e comum nas encostas da Mata Atlântica, mas atualmente é raríssima e se encontra no livro "vermelho" de espécies em vias de extinção, como podemos ver na imagem destacada a seguir:

Um levantamento recente listou apenas 45 árvores conhecidas no planeta, sendo a maior parte delas espalhadas em Jardins Botânicos pelo mundo(Lisboa, Austrália, Bruxelas, Buenos Aires etc).

O mais incrível é que essa espécie pode mostrar como história, política e preservação ambiental podem ser intercruzar... 
Isso por que há a "lenda" que essa árvore quase foi extinta por força da queda da Monarquia e da Declaração da República. O imperador ao ser deposto quase vitimou, por motivos Políticos, o outro "Imperador"... a Guapeba!
Se é verdade que os "Republicanos" mandaram derrubar todos os exemplares que existiam nos Jardins feitos por Auguste Glaziou (o paisagista do Império) a pedido de D. Pedro II, como uma forma de protesto contra a Monarquia, não sabemos, mas a sua presença nas matas já era rara, ao tempo de D.Pedro II, por conta do extrativismo excessivo para a produção de um excelente carvão.

Mas a admiração dos "Imperadores", tanto de D. Pedro I quanto de seu filho, pela árvore ficou famosa ao ponto do seu nome científico apresentar a nomenclatura "Imperiale", dada em homenagem aos Monarcas.  

A história só não teve um final pior por que a paixão de D.Pedro II fez com que ele enviasse como "presente" algumas mudas delas para Jardins Botânicos em Sidney, Lisboa, Buenos Aires e Bruxelas. E lá elas sobreviveram sofrivelmente até serem descobertas e poderem  retornar a sua-nossa Terra natal - A mata Atlântica. Mas, isso apenas no início desse século...


 O programa "Um pé de que?" sobre a Guapeba ou árvore do Imperador.

Esse link conta a história de como os republicanos "baniram" essa espécie dos parques e jardins por que ela era uma das árvores preferidas de D.Pedro I e do seu filho!

Espero que o plantio de um espécie tão rara, em nossa escola, possa servir como um marco para que o projeto MUDAMATA continue a ampliar a discussão da necessidade de preservação da Mata Atlântica.


Viva o Imperador da mata Atlântica!
Abraços.
Tito Tortori